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6 de junho de 2008

Eu quero falar.

É a primeira vez que vou falar sobre tudo o que aconteceu naquele dia ....
Dia 07/06/2004
Eu estava estudando enfermagem, pois estava cuidando da minha avó ( paterna), eu era a responsável pela Díalise Peritonial que ela fazia todas as noites decidi então que ia, estudar e saber mais para não fazer nenhuma caca, porque qualquer erro pode ser fatal se ela pegasse uma infecção nossa..... ai fui estudar.
No meio do curso eu pirei de vez, não tinha cigarro que acalmasse, não tinha bebida que me fizesse dormir melhor, alías eu não dormia nada porque tinha que vigiar a maquina a noite toda.
Meu pai do nada se irritou porque eu estava namorando um cara que tinha filha, e alguns problemas a mais que não vem ao caso agora, e me levou embora para a chácara, e me fez trabalhar no escritório dele, eu queria morrer, chorava o tempo todo, tirou meu cigarro e toda a minha liberdade.
Minha mãe ligou e falou com ele que precisa que eu fosse para Piquete, ele em meia hora pegou o dinheiro foi em casa fez a minha mala, e me colocou no onibus, eu sem entender muita coisa fui com a maior alegria, afinal eu estav livre da tirânia dele por algum tempo. Na hora em que o onibus saiu ele me deu um bj e começou a chorar, sem entender nem perguntei nada, e ele disse dizz Adeus por mim..... bá tche?
Chegando em Piquete, a cidade me parecia fazia, ai eu vi a minha mãe andando rapidinho pela rua, com outra pessoa, fui atrás, ela não tinha me visto, ele estava chorando aquilo me deixou agoniada, mais continuei quieta, ele entrou na sorveteria que estava fechada, mais o dono estava esperando ela na porta, parei e fiquei, quando ouvi o cara falando que agora nos restava pouco tempo, e perguntou se eu já tinha chegado, afinal eu era a unica que faltava ..... na hora entrei sem pensar, e minha mãe me abraçou e chorou mais ainda.
Toda vez que eu ligava estava sempre tudo bem, de um tempo para lá ela já não falava mais comigo no telefone, mais achei que fosse só cansaço pela doença,..... mais pelo jeito não era.
Quando chegamos no portão de casa, miha mãe pediu para que não entrasse chorando, não fizesse barulho, nem apagasse as luzes, pedi 5 min então, acendi um cigarro, e me mantive em estado de ira por não saber oq ue tava rolando. Entrei, todo mundo me olhando, e sabe aquelas cenas em que o fluxo vai te levando? pois é me senti assim, quando olhei no quarto em cima da cama, ? cd? olhei de novo e parecia que só tinha uma criança deitada ali, entrei e disse cade a minha vózinha? e ela sem nem msaber quem era, perguntou quem estava lá, oche sou eu, minha mãe falou pora chegar mais perto e nem assim, falei meu nome e ela ficou olhando, e nada, eu queria muito abraça-la mais estava com medo de quebrar ela no meio, não tinha nada mais ali, peguei ela no colo e minha mãe deu o que ela tava pedindo, casquinha de sorvete, ela comeu como se fosse uma criança, desesperada de vontade, ainda sinto o seu cheiro..... a Poli falou comigo se nada estivesse acontecendo, e saiu com a mochila dela eu fui atrás e ela disse que tava indo para um retiro da igreja porque ela não podia mais ficar ali, eu não disse nada só dei tchau, era mais dificil para ela que estava ali todos os dias do que pra mim, que sempre fugia dos problemas, no dia seguinte tivemos que leva-la para o hospital, um amigo veio buscar com a ambulância, e falava o minha princesa vamos passear de novo, e ela sorria, é me leva pra tomar sorinho porque ta doendo........ele me deu um abraço bem forte e me pediu para continuar sendo quem eu sempre fui, e não abandonar minha mãe naquela hora, passamos o dia correndo atrás de remédio, fraldas, outras coisas, uma delas era a morfina, que era a unica coisa que a acalmava, ela sempre pedia para sairmos do quarto e ficava brava com a nossa insistencia em ficar, a noite fui encontrar meus amigos na praça, ouvir um pouco de musica tentar me acalmar, beber um pouco, viajar como fazia antes, mais não dava para esquecer, e voltei para casa, dormi e no dia seguinte acordei com a reunião de família preparada, o que fazer? deixar ou não? ela estava sofrendo muito, muito mesmo, mais será que não tentar era o melhor? era... levamos ela para Lorena, e eu corria mais que tudo para que a Poli pudesse se despedir dela, mais não deu tempo, acabamos fazendo o caminho errado, em casa minha mãe disse que ela estava melhor e que eu podia voltar para casa do meu pai, mais pediu para descansar as tias e passar a tarde com ela no dia seguinte, minha mãe foi para a aula, e eu para o hospital, tinha uma prima minha lá, e ela decidiu ficar comigo, ela já não falava mais, não soltava um ruido, mais chorava muito ,,,.......... perguntei se ela queria falara com alguem e eçla balançou a cabeça que sim e comecei a falar os nomes, e ela sorriu quando falei do meu avô, ta vó eu vou chamar, liguei em casa e disse como ela estava e que queria ver o vô, ninguém me deu muita bola, eu não queria mais ficar lá sozinha, eu tava com medo, eu não queria ver, mais foi inevitavel, pedi para a enfermeira aplicar um remédio para a dor, e ela me empurrou, a enfermeira disse que era melhor eu me afastar, sair da sala, eu não sai mais fiquei nos pés dacama onde ela não podia me ver, a enfermeira disse que eu já tinha saido, e que ela podia .... ficar tranquila, eu não imaginava que o tranquila fosse o fim, e ela começou a agonizar, eu corri peguei ela no colo e não sabia o que fazer eu implorei, eu pedi eu chacoalhei, mais não tive mais resposta, ela então deu seu ultimo suspiro, ................. me tiraram de lá, me deram um calmante, e antes que alguém falasse mais alguma coisa eu sumi, comprei mais cigarros uma bebida e voltei, quando eles chegaram, e minha tia começou a gritar comigo, eu já estava em estado de transe já, não respondi, não me defendi, não fiz nada, ela me acusou, me disse que eu deixei mais eu sei que eu não tive culpa, passei o resto da noite a base de calmantes e com muitos amigos, quase não conseguia mais para em pé, sonho com ela sempre que preciso de ajuda, de colo, sinto o seu cheiro e um carinho na cabeça, tenho sempre a sensação de estar junto dela, e quando acordo sei que foi de verdade!
Eu não tive culpa, mais larguei a enfermagem e voltei para piquete.
Minha avó tinha cancêr no utero, e viveu com essa doença por dez anos, sem saber, pois ninguém contou, ela achava que tinha ernia, como explicar as dores era o mais dificil.
E amnhã é mais um dia

4 comentários:

Gisele Moura disse...

Oi Passei aqui pra dizer um oi e saber como você esta beijinhos e fique com Deus
Gisele Moura

Morrocoy disse...

Oi menina
Nossa, que história triste! Mas olha, a vida da gente é cheia de episódios pelos quais gostariamos de não ter passado. E outros que vem pela frente que não gostariamos de ter de enfrentar, mas acontece que sobre certas coisas não temos controle.
Deus não disse que não teriamos dificuldades na vida, até porque nosso mundo é imperfeito, até porque nós mesmos somos imperfeitos. Mas disse que em todas, TODAS as dificuldades, Ele estaria junto conosco.
Alegre-se! Um dia, quando Jesus voltar, você poderá dar um abração na sua avozinha. E sem medo de machucá-la, pois não haverá mais dor, nem choro, nem morte. Vocês poderão passar a eternidade juntas. Deus nos possibilita ter esta grande esperança!
Abração!

Andrea Nunes disse...

Chorei te lendo. Perdi minha avó já tem alguns anos, não vou te dizer que a dor passa, porque não passa, a gente só aprende a conviver com ela, e, com o tempo aprendemos a lembrar apenas das coisas boas. Falei um pouquinho dela no meu antigo blog, http://www.diariodaespera.weblogger.terra.com.br/200211_diariodaespera_arquivo.htm

beijoca

Tati disse...

Caraca, Pam, que triste... E como estão as cólicas?? Melhorando???

Se cuida, menina... Vê se pensa em coisas boas, tenta relaxar!!

Beijos